decoração comercial: imagem e marca

O comércio tem que viver o seu tempo! Cada época tem o seu espírito próprio e  se não buscarmos o espírito da época estaremos fadados a falir. Ultrapassar este espírito ou ficar aquém dele será um problema. O que está na moda hoje?
Decoração minimalista da loja do designe de moda Luis Buchinho no Porto vi em http://oportocool.wordpress.com
Estamos vivendo uma época de modernidade absoluta, onde tudo aquilo que foi premeditado ou iniciado há quase 90 anos toma o seu apogeu absoluto, sem medo de errar, posso dizer que estamos na época da racionalização dos excessos. A simplicidade, a pureza da forma preconizados desde a década de 20 atinge  hoje a sua sabedoria da idade avançada. Portando a ambientação inovadora  de um comércio tem que passar por essa sabedoria, saber utilizar a forma para induzi e conduzir um cliente ao seu item mais valioso.
Grupo sendas vi no arcoweb.com.br
Toda pessoa do mundo é um cliente em potencial, mesmo que as lojas se definam do público A e B, o dinheiro do público C, D e E tem o mesmo valor. Uma nota de 100 custa 100 na mão do pobre e custa 100 na mão do rico, embora aparente ser 1000 para o primeiro e 10 para o segundo. Mas basta que lhes venha o desejo de obter o produto  que para ambos 100 valerá exatamente o saciar de seus anseios.  Portanto, quanto mais se cria no cliente o desejo de obter o produto menos valerá o valor dos 100. Por isso o bom vendedor é sempre aquele que vende sonhos e os maus são os que vende ilusões (pausa para minha biografia: também fui vendedor de seguros de saúde nas horas vagas com o qual paguei meus cursinhos -caríssimos no Brasil – para entrar na faculdade!)
A função da decoração e da arquitetura também é essa: vender, com a diferença de que ela vende sonhos através das ilusões que proporciona.  Antes de se vender um produto vende-se a marca, o conceito da loja, e os valores associados a isso. Quanto custa um tênis para a  Nike?
Rede de supermercado  austríaco Mpreis conhecido pela sua arquitetura!
 Ma como eu posso aplicar tudo isso à minha loja, como posso mudar o perfil de minha loja? como posso atrair clientes? Como posso retirar os vícios do tempo?  Como posso dar uma guinada nas vendas? Certamente são essas as peguntas de todo empreendedor. Um coach empresarial daria os conselhos administrativos corretos, mas sem passar por uma análise profunda da arquitetura e decoração e na mudança da imagem, todo esforço será em vão. Então o que eu diria para você? vamos lá com dois conselhos práticos iniciais: a marca e a fachada!
A MARCA
 Sua marca é forte? Toda marca forte, impregnada na mente dos clientes, quando passam por reformulações de design se mostram mais forte. A mudança na época de crise tem um significado forte para o cliente “enquanto outras lojas estão fechando nós estamos nos modernizando”! Com isso uma nova identidade visual assume o controle da loja e com ela toda a arquitetura comercial deverá ser mudada. Alguns ‘coach empresarial’ aconselham a mudança total da marca (inclusive nome) para desassociar possível passado negro das lojas.
 A FACHADA
Foi-se o tempo das fachadas de lojas carregadas de reclames, informações, números, contatos, avisos, cartazes e todo lixo comercial da década de 30.
As fachadas hoje são modernas, puras, simples, chamando a atenção para marca da loja. Hoje com a internet e com o Google a única  informação que o cliente precisa é do nome da loja, isso ele tem que lembrar, o resto ele encontra na net (supõe-se que sua loja tem uma página na net com as informações necessária, se não tiver crie uma) e mais uma vez retorno a dizer, as montras fazem o papel de chamariz, são elas que chamam o cliente, tenho passado por lojas incríveis aqui em Portugal (como também no Brasil) que fiquei intimidado com a vitrine e desisti de entrar. Se é a vendedora que assume a função de vitrinista, meus pêsames, sua loja certamente está aquém das possibilidades que possui.

Pense na remodelação da fachada de sua loja/empresa, este será um investimento necessário, dará novo ânimo aos vendedores, aos clientes, ao comércio em geral. Procure um arquiteto com visão empresarial e atento ao espírito da época. Infelizmente temos muitos arquitetos bons que se perderam no seu tempo e ficaram lá trás na sua época. Identidade visual não é apenas mudança de cor e revestimento de fachada é mudança de emoção, de sentimento, de perspectiva de futuro.

arte  na vitrine de uma loja japonesa vi na http://vitrinerg.blogspot.pt
Por outro lado, não será apenas uma troca de vitrine e fachadas que recuperará o prestígio de anos perdidos, mas aos poucos os clientes perdidos passarão a notar a loja e apagar de suas mentes o antigo conceito. O resultado dificilmente é de imediato, já falei aqui da marca de sandálias Havainas que saiu da classe E para a classe A, mas inevitavelmente ainda é associada à simplicidade e humildade mesmo nada tendo de humilde em seu preço!

Deixe um comentário

João Paulo Lima

João Paulo Lima é arquiteto brasileiro, doutorando em Eng Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto-Portugal, onde reside atualmente, é consultor em decoração comercial, escritor e blogueiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Facebook